domingo, 13 de setembro de 2009

One of a Kind


Para alguns, meu comportamento é ilógico, não faz o menor sentido. Tudo bem, penso eu, afinal de contas não preciso integrar o universo binário do qual eles fazem parte. Às vezes penso que sou
"one of a kind", algo como o ultimo sobrevivente da minha espécie.

Eu possuo uma serie de valores que já não valem tanto, sou como um figurante nos filmes de Gene Kelly. Minha alma usa um terno bege, chapéu panamá e sempre tem uma rosa para a mulher amada. Já ia esquecendo da gravata borboleta.

Sabe, meu jeito de ser não é opção. Como disse o Leonard de "The Big Bang Theory", se todos fossem como eu a humanidade não sobreviveria. No entanto, sou orgulhoso de ser quem sou. Nem sempre considero fácil, mas ser diferente exige um esforço ainda maior, esforço que me leva a ser alguém que não sou.

Digo isso, por que fiz uma escolha, que para muitos não tem sentido: Resolvi esperar. É lógico que me refiro a alguém. Me refiro à mulher da minha vida, ora bolas. Tenho um amigo, coisa rara de se encontrar nos dias atuais, que me disse que "A mulher da minha vida já o é nesse momento, basta encontra-la". Para ele não é o encontro que cria o vinculo, mas algo anterior a isso. Na verdade é como se o primeiro encontro fosse um simples reencontro. Para mim isso faz muito sentido.

Muitos pensam que encontrar sua alma gêmea depende de talento, lábia, charme, coisas assim. Nasci pensando diferente. Quando a pessoa certa "ressurge" (Lembre-se que é um reencontro) um olhar basta. Uma palavra escrita basta. Um olá basta. Acredite.

Olho para os lados, e vejo o mundo moderno, no qual obviamente não me encaixo. "Ninguém é de ninguem", e as pessoas experimentam um "grande amor" uma vez por semana. O que antes era a dama, agora é a "Popozuda". As valsas de hoje vão "descendo até o chão". Beijos foram feitos para se distribuir nos salões de festa, sem maiores formalidades, sem muita intimidade (Paradoxal, não?)

Bem, tomei um caminho diferente deste. Resolvi admitir que estou representando o cidadão de algumas décadas atrás. Terno bege, chapéu panamá e a indefectível gravata borboleta.

Gene Kelly dança na chuva, enquanto eu espero minha dama com uma rosa na mão.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Isso é irônico... Você não acha?


A vida é mesmo estranha. Tudo bem, "estranha" não é a melhor palavra para defini-la, talvez seja só misteriosa, como uma moça que cobre o rosto com um véu. Às vezes a vida é simplesmente uma senhora irônica, cheia de traquinagens.


Fico observando como muitas vezes os papeis se invertem, planos mudam, pulam de sonhador em sonhador. Eu planejei um monte de coisas, planejei até ao lado de quem cada coisa seria realizada, cada pequena ação. Mas, como bem sabe o nobre (e fictício) Joseph Klimber: A vida é uma caixinha de surpresas.

Que ousadia a minha, querer guardar o futuro numa caixinha, no fundo da minha gaveta de meias. Foi muita arrogância de minha parte, lançar minhas expectativas sobre as pessoas, sobre uma pessoa em especial, e acreditar piamente que alguma secretária celeste reservou tudo na minha agenda de vida.

Meus planos já não são meus planos. Outra pessoa os realizou, roubou meu papel enquanto eu reescrevia o script. Mas eu nem era o autor da peça, muito menos o diretor. Mais uma de minhas ousadias. Deixei de prestar atenção, achando que o mundo era uma constante. A única constante é a mudança, dizia o velho sabio do interior. Interior sei lá de onde.

Hoje, meu futuro é totalmente diferente. Olhe só! Cá estou eu novamente mandando anotações para a inexistente secretária do além. Admito, o futuro nebuloso me assusta, e até desmotiva. O fato de tanta coisa ter seguido rumos diferentes dos que desejei, me desanima. A incógnita me assola.

O único jeito que encontro de me colocar nos trilhos novamente é procurar, e encontrar, o Doutor Emmet Brown e torcer para ele ainda não ter desmontado o DeLorean. Há quem diga, teorize, que só o fato de voltar no tempo já alteraria o futuro, no caso o meu presente. Fora o risco de causar um Paradoxo no Continuum Espaço-Tempo. Chega, já me embolei.

Dizia eu, que a vida é uma senhorinha muito irônica. Trocou meu destino com o de uma pessoa, que não queria as mesmas coisas que eu, e acabou por adquirir tudo o que sonho. A mim sobram os sonhos dela.

Como cantou Alanis Morrissete: Isso é irônico... Você não acha?

domingo, 9 de agosto de 2009

Meu lugar favorito


Hoje, meu "lugar" favorito não é bem um lugar. Meu "lugar" favorito é um momento, um instante no tempo, uma situação que gosto de revisitar. Carros não me levam lá, mas o som da sua voz o faz. Lá é como a
Pasárgada de Manoel Bandeira. Lá sou amigo do rei.

Interessante é que esse lugar, meu lugar favorito, é portátil. Estou sempre lá, e já não preciso fechar os olhos para isso. Você também sempre se faz presente, com sua macia voz, com seus olhos de esmeralda. O lugar parece ser imaginário, assim como você. Parece apenas um sussurro de história, um parênteses na existência.

Lá estão meus Moinhos de Vento, como os combatidos pelo tão nobre Dom Quixote. Lá está minha Dulcinéia, tão formosa quanto a de Toboso. Tão imaginária e intangível quanto a musa do velho cavaleiro andante. Está tudo lá, no meu "Lugar-momento".

Isso tudo mais parece uma canção. Eu moro não primeira estrofe, você me encontra no refrão. Existe melodia, existe compasso. Infelizmente dura poucos minutos, e para a correção desta sina, existe a tecla Repeat.

Meu lugar favorito é um "Lugar-momento-canção", portátil e de fácil utilização. Perigoso, pois é profundo, e assim como os marinheiros sob o canto das sereias, corro o risco de me perder. Hipnotizado, mesmerizado, vitima do encanto sedutor.

É lá que estou agora, tentando desvendar o quanto de tudo isso é real.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Lágrimas de Coca-Cola


E então penso que as coisas são artificiais. Tudo é feito, construído, até o que é natural. A mãe natureza não passa de uma artesã, cheia de talento é verdade, mas uma artesã. Árvores e carros, nuvens e a fumaça do seu charuto. São tudo coisas.

Começo a acreditar que sentimentos são coisas, itens, objetos. Eu os fabrico, você os fabrica. Existem em grande variedade, em todas as cores e sabores. Tristezas e alegrias, sorrisos e lágrimas. São tudo coisas.

Sou levado a crer que minhas lágrimas são como a Coca-Cola. Um liquido produzido numa enorme linha de montagem. Tudo bem, minhas lágrimas são claras, mão também possuem uma receita secreta. Não as engarrafo, não as vendo ou alugo. Cada lágrima possui razão, são produzidas sob encomenda. Lágrimas de Coca-Cola.

Acho que meu pranto não mata a sede, nem vai bem com "McLanche Feliz". Não possuem garrafa bonita e nem brindes interessantes. Não as divulgo no cinema. Saborosas? Não sei se são. E o único viciado nelas sou eu.

Bebo Coca-Cola demais. Chega a sair pelos poros, a escorrer pela saliva, a correr nas veias. Descobri que choro Coca-Cola, e definitivamente não é do tipo "Zero". Existe muito conteúdo nelas, mas por questões legais não revelo seu teor. Patentes e Copyrights, sabem como é.

São tudo coisas. Você e eu, seus sorrisos e minhas lágrimas. Você ilumina os dias com sorrisos de Cepacol, e eu posso até desentupir pias com a Coca-Cola dos meus olhos. As coisas são assim, e como eu já disse inúmeras vezes: São tudo coisas.

Por que eu acredito que tudo é artificial, construído, mesmo quando é natural.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Dopamina, Feniletilamina e Ocitocina


Por que prender-se a sentimentos, à sensações? Tudo é tão abstrato. Você se apega a algo que nem sempre estará lá. Você se apega a alguém que irá partir. Acabo acreditando no velho ditado: "Você só tem você".


No final das contas é tudo químico. Seu organismo produz um monte de substancias, e os médicos sabem nomeá-las. Essas substancias dizem que você gosta daquela comida, aprecia o som daquela orquestra. Elas dizem que você está apaixonado. É tudo muito lógico, do ponto de vista médico.

Dopamina, feniletilamina e ocitocina. Paixão em lata. É isso aí, sem rodeios. Palavras doces? Perfume sedutor? Não meu amigo, Cupido não era semi-deus, era farmacêutico. E dos bons. Se bem que não criou antidoto. Cronos, o responsavel grego pelo tempo, esse sim, criou uma cura. Quanto mais distantes no tempo, do objeto de desejo, menores são as descargas químicas no organismo.

O tempo cura tudo. Se a água é o solvente universal, o tempo é o remédio definitivo. Cupido se deu mau. Então, novamente me questiono: Por que dar ouvidos à reações químicas? Por que elas nos afetam tanto? Por que eu fico olhando o Sol se por no horizonte, ouvindo Elvis Presley?

Deve haver maneira de se imunizar. Alguma vacina, algum tratamento. Talvez hipnose. Vou entrar na fila do hospital, e me internar alegando "Paixonite crônica". Paracetamol, dipirona e chá de "capim-cidreira" não adiantam, lhes aviso com antecedência. Já tentei.

Dopamina, feniletilamina e ocitocina. Pôr-do-Sol e Elvis "The Pelvis".

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Assim me esqueci do tempo


Algumas pessoas são esquecidas pelo tempo. Eu não, eu segui pelo caminho inverso, esqueci do tempo. Há dias uso meu relógio como uma simples pulseira. Uma pulseira excêntrica, mas uma pulseira.

Não sei que horas são, nem sei em quanto tempo escrevi as linhas acima. Não faço idéia do quão cedo ou tarde eu durmo, muito menos tenho noção do momento em que acordo. O tempo é uma ilusão, e resolvi me banhar em um pouco de realidade.

Antes eu não tinha tempo para fazer as coisas, me sentia preso e amarrado. Amordaçado. Hoje o tempo não me tem. Escapei. "Sumi, desapareci e me escafedi", assim como fez Arlindo Orlando, aquele caminhoneiro da pequena e pacata cidade de Miracema do Norte.

Ponteiros giram, alarmes tocam. O Sol nasce e se põe, e eu, bem, eu vou vivendo: Tomo café na hora do almoço, e janto na hora do café. Tanto faz, me desprendi de convenções temporais. Estou atemporal. Digo "estou" porque sei que isso não vai durar. Em breve (E este "breve" já é influencia do tempo) estarei atado novamente aos horários: Hora de trabalhar, hora de estudar. Hora de almoçar e de dormir. Hora de pensar em você, e hora de te ver. Hora de ler.

Tenho plena noção de que em breve não terei tempo, sendo assim aproveito e vivo o momento. E viver o "momento" já é cair na armadilha do tempo.

Porque sou escravo do relógio, mas hoje me alforriei.

sábado, 4 de julho de 2009

Doutor, o senhor não está me ajudando


Doutor, não sei de onde me vem o medo. É como se ele esperasse eu baixar a guarda, como se estivesse sempre me vigiando, espiando pelo buraco da fechadura, entende? Simplesmente não sei de onde me vem o medo.

Tenho medo da solidão, isso é normal? Veja só, tive um pesadelo onde ninguém me enxergava ou ouvia, e logo em seguida ninguém mais existia. Tinham todos ido embora, e me deixado só. Já assistiu "Eu sou a lenda", aquele com o Will Smith? Pois é, me senti como aquele personagem, mas sem o cachorro como companhia. Sem ninguém.

Esse medo se reflete em auto-defesa. Estou sempre na defensiva, sempre tenso, preocupado. Isso me assusta, e magoa as pessoas. Acabo projetanto isso nas pessoas, e quando elas saem para comprar pão, penso que não voltarão. Se falam com outras pessoas, se se divertem, penso que estão me esquecendo. Repito, isso me assusta e magoa as pessoas.

Doutor, isso é um problema, não é? Não diga que sou normal, não posso ser. Talvez seja carência, isso! Carência! Por isso sou assim, bonzinho, para que as pessoas fiquem perto! Mas... Não funciona, acabo espantando a todas elas! Isso se cura com o uso de remédios? Cirurgia, talvez! Fisioterapia? Não? Você não está me ajudando.

Doutor, não sei de onde me vem o medo. Não tenho tudo o que quero, mas adoro tudo o que tenho. Ah, o que me lembra de outra coisa: Posse. Doutor, tem horas em que me comporto como o dono das coisas, das pessoas, como se eu fosse o dono da razão. Já assistiu ao "Show de Truman"? Às vezes me comporto como aquele personagem, o diretor do programa, aquele que mora na Lua artificial. Controlando, vigiando, temendo que as coisas saiam de controle.

Estes sentimentos me fazer parecer o tipo de pessoa que eu odeio. É como se, de tanto enfrentar demonios, eu acabasse por me igualar a eles. É o tal do "Olho por Olho". Tanto critiquei certas criaturas, por suas atitudes infantis e controladoras, possessivas e invasivas, tanto as observei, que acabei por adquirir seus trejeitos. Tudo bem, é involuntário, inconsciente, mas ainda sim é um defeito. Preciso corrigir, antes que meus anticorpos comecem a me destruir, me julgando como uma "auto-ameaça".

Doutor, o senhor não está me ajudando. Não diz nada, nem me prescreve um remédio. Não pede exames, não mandou eu me internar. Como assim "Preciso me curar sozinho"? Isso lá é tratamento? O senhor precisa me dizer o que causa tudo isso. Como assim "Apenas humano"? O senhor anda lendo muito Nietzsche.

Vou ver como me saio, mas volto na semana que vem, certo? Vou repensar meu comportamento, e deixar de projetar meus temores em pessoas inocentes. Não quero magoa-las, afasta-las. Espero que as feridas que causei cicatrizem rápido, e que as pessoas não esqueçam do cara bom que sou.

Porque sou apenas humano, mas isso não me dá o direito de errar para sempre.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Poema, livro ou canção


"Sabe?", disse ele.

"O que?", disse ela. Ela estava sentada, olhando pela janela.

"Estava aqui pensando" disse ele. "Queria te escrever algo."

"Você já me escreveu tanta coisa", respondeu ela. "Acho que ainda nem li tudo"

"Mas", continuou ele. "Queria escrever algo só para você, fosse poema, livro ou canção."

"Aquele pequeno texto, sobre o seu eco, não era só para mim?", perguntou ela, com sobrancelhas arqueadas.

"Era. Ainda é", respondeu ele prontamente. "É que ele é publico, para que saibam que nos encontramos.", justificou. "Quero escrever algo para deixar com você, para você levar na bolsa, ler durante os voos, e nunca esquecer que você é quem inspira minhas composições."

"!", riu ela. "Só você para me fazer sorrir."

"Não é brincadeira", respondeu rindo. "Para ser sincero, estou trabalhando nisso agora, enquanto te olho nos olhos."

"Agora fiquei tímida", respondeu ela, escondendo a face na manga da blusa. "Depois você escreve."

"A mente de um grande criador não funciona assim, com hora marcada", disse ele, escrevendo.

"Grande criador...", desdenhou ela. "Desde quando você ostenta esse título?"

"Desde quando te conheci", respondeu sério. "Putz, que piegas eu sou.", riu, quebrando o clima.

"Piegas, mas é bonitinho", disse ela, com um fino sorriso.

"Já começou a chover?", perguntou ele, desviando a conversa.

"Ainda não, seu bobo", riu ela. "Por que você ficou tímido?"

"Porque não passo de um cara tímido", ruborizou ele. "Não sei falar, nem me declarar, por isso escrevo... Vai dizer que não percebeu?"

"Percebi, e quer saber?" respondeu ela. "Acho isso algo encantador em você"

Ele não disse nada, apenas continuou a escrever.

"Aqui está.", concluiu ele. "Esse texto diz tudo o que você precisa saber, tudo que precisa saber ao lembrar de mim."

"E o que diz? Posso ler?", levantou-se ela, indo em direção a ele.

Tremulo, como só os tímidos ficam, entregou o papel. "É meu texto mais sincero, em anos!"

Ela olhou e leu. "Só tem três palavras... As mais lindas e suficientes palavras que eu poderia desejar de você."

Ele ruborizou ainda mais, enquanto ela se sentou ao seu lado e o beijou os lábios. "Bobo", disse. "Eu já conhecia esse texto... Sempre esteve escrito no seu olhar", falou, colocando o papel numa mesinha.

Enquanto se beijavam, uma brisa vinda da janela levou o papel ao chão. Suas três palavras ficaram expostas, mas não haviam olhos atentos para lê-las.

No papel as três palavras diziam "Eu te amo."

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Uma mesa e um disco dos Ramones


Eu me lembro de quando as coisas eram diferentes. Me lembro de quando nossa mesa era repleta de gente, de piadas e histórias. Lembro do tempo em que não haviam cadeiras suficientes para todos nós.


Hoje, olho para a velha mesa, e nela só encontro lembranças misturadas aos farelos de pão. Cadeiras sobram, copos permanecem vazios. Sempre soube que as coisas mudam com o tempo, e até então venho tentando concluir se isso é bom ou ruim.

Em alguns momentos ouço vozes vindas daquele tempo, anos atrás. Risadas dadas as custas de alguma piada nonsense. Discussões em nome dos mistérios do universo, e brigas por conta de banalidades. Segredos, silêncios coletivos e deboches. Tínhamos de tudo um pouco.

Lembro dos jogos ocorridos ali. Estratégias e blefes. Códigos e trapaças. Nós conhecíamos as manobras e nossa comunicação fluía através de olhares. Perdíamos peças do velho jogo de guerra, e roubávamos descaradamente no carteado. Mas hoje a mesa está vazia.

Na minha memória posso encontrar centenas de conversas realizadas ali, na velha mesa. Amigos desabafando, amigos aconselhando. As amizades continuam as mesmas, até mais fortes, mas todos nós esquecemos da velha testemunha de nossa vida: A mesa.

Hoje, sentado aqui, tomando meu refrigerante, me sinto só. Partir o pão, sem jogar o miolo na cara de alguém, não me parece tarefa das mais divertidas. Nem mesmo a trilha sonora é mesma. Antes ouvíamos o "Loco Live" dos Ramones, mas hoje eu escuto apenas os ecos daqueles dias. O Ramones estão mortos em sua maioria.

As vezes nossa mesa recebe outras visitas alem das minhas. Velhos amigos voltam para vê-la, para colocar o papo em dia. Isso está longe de ser o suficiente, mas serve para manter intacto o fio da esperança.

O passado não volta, não tem jeito. Já tentei girar os ponteiros do relógio no sentido anti-horário, já tentei comprar um Delorean com capacitor de fluxo, mas nada alterou o tal do "Continuum espaço-tempo".

Então observo a mesa e tento reabsorver tudo que ela já presenciou, e percebo que não preciso voltar no tempo, pois tudo aquilo ainda está aqui comigo.

Tudo aquilo está comigo, e com todos que já se sentaram na velha mesa.

sábado, 9 de maio de 2009

Vigiando cidades, derrotando vilões


Quando ouvi seu grito, achei que era só alguém descendo um tobogã. Sabe, quando você está deslizando, e o efeito da inércia no seu estômago acaba gerando uma manifestação verbal? Pois é, pensei que era isso. Me enganei, isso às vezes acontece.

Aquilo era um grito de socorro, que todos teimavam em não ouvir. As pessoas andam muito ocupadas, ou distraídas. Não eu. Não posso me dar ao luxo de fechar os olhos. Talvez só eu fosse capaz de ouvir naquela freqüência, tenho esse tipo de dom.

Voei até a fonte do som, e lá estava você. Me olhou flutuar por cima dos prédios, e parou de gritar. Ao te ver detalhei na mente cada passo seguinte: Desceria até você, eliminaria o vilão que te oprimia, e te levaria até um ponto seguro, onde verificaria seus eventuais ferimentos.

Prendi a respiração e desci em rasante. Parecia um gavião, até me enrolar na minha própria capa. Bem que meus tutores me disseram para deixar as capas de lado, mas eu achava elegante, vistoso. Não levei nem um segundo para me livrar do bendito pedaço de pano, mas foi tempo suficiente para meu algoz te tirar dali.

Te perdi de vista, e isso não me parecia algo heróico. Aumentei minha altitude, para poder enxergar mais do território. Lá do alto eu nada ouvia, mas podia ver cada rua, cada cruzamento e cada beco. Onde o malvado vilão a teria levado? Nessas horas a tal visão do raios-X me faz alguma falta.

Fui até o solo, em busca de pistas, algo que me levasse até você. Encontrei palavras e lembranças, mas nada mais que isso. Procurei por algum fio de cabelo, ou algum retalho de seu vestido. Mas lembrei que essas pistas só achamos em contos de fada, sendo assim descartei procurar rastros feitos com migalhas de pão.

Outro grito! Foi assim que te encontrei pela segunda vez, sempre atendendo aos seus chamados. Corri na velocidade da luz, atravessando movimentadas avenidas. Estou até agora esperando as multas de transito. Quando te alcancei, encarei o vilão. Biltre criatura que pensou ter o direito de te encarcerar! Minha missão era simples: Dar fim a seus dias de crueldade desregrada.

Levantei meu punho direito, preparei meu famoso golpe "Onda de choque" e mirei na testa do facínora. Quando achei que ia dominar a situação, você resolveu agir. Dobrou os pulsos de seu raptor, e em pouco segundos o tinha dominado. Fiquei sem palavras. Fiquei fascinado. Você lidou com a situação de maneira magistral, e eu percebi que havia encontrado alguém como eu.

Não mais podia me sentir só nesse mundo. Fiquei tão pasmado, que não percebi que você poderia ter feito aquilo desde o primeiro momento. Você conseguiu chamar minha atenção, e talvez esse fosse o plano desde o inicio. Só fico triste por ter perdido minha capa.

O vilão não me viu, não me olhou no rosto, tudo foi rápido demais. Deixamos a cena do "crime", juntos, e trocamos nossas experiências. Era a primeira vez que olhávamos um semelhante, ouvíamos vozes complementares. Fascínio imediato. Logo percebemos que formaríamos uma grande dupla.

Criamos estratagemas, visualizamos todo um universo de possibilidades. A paz voltaria a reinar, pois agora o mundo possuía dois vigilantes. Bandidos começaram a ser entregues à policia com mais freqüência que o jornal da manhã. Velhinhas atravessavam as ruas em segurança, e nenhum gato permanecia nos topos das árvores.

Um dia voei até a cena de um crime, e percebi que você não estava comigo. Você estava atendendo outra alma, havia ouvido um grito que eu não pude ouvir. Claro, alguns de nossos poderes são diferentes. Nossos chamados aconteceram em pontos opostos do globo, e precisamos bolar novos esquemas de trabalho.

Eis um novo vilão para enfrentarmos. Um vilão invisível, imutável. Nos resta enfrenta-lo juntos, combate-lo implacavelmente, e no fim vencer. Derrota não é opção. Começamos a esquadrinhar nossa estratégia.

Eu na minha "Bat Caverna", e você na sua "Fortaleza da Solidão".

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Numa calçada de ponderações


Resolvi caminhar um pouco. Trilhar a calçada que sai de minha porta e segue num rumo fixo, determinado por alguem que já não mais vive. Na calçada, que alguns chamam de passeio, resolvi estampar meus passos, não como as crianças que marcam o cimento fresco, mas como os andarilhos que deixam pegadas ilegíveis.

Havia chovido há algum tempo, e o chão ainda está molhado. A grama que cresce nos vãos do cimento agradecem. Começo a seguir a trilha, desenhada antes de eu nascer, sem rumo. O único objetivo é a jornada, uma jornada na calçada.
Passos sucedem passos, a respiração adquire novo ritmo.

Um gato preto cruza meu caminho, mas é só um dos muitos que por aqui vivem. Não sou supersticioso, veja bem, portanto só me importa vê-lo deslizar pelo asfalto, até o outro lado da rua. Alem dele só a solidão, minha atual companheira.


Árvores lançam suas raízes pelo chão, inclusive na superfície, exigindo mais espaço. Nós, construtores humanos, não somos muito justos com os mais velhos. Não respeitamos o solo, nem a vegetação, coisas muito antigas, mais antigas que este cimento por homens processado. Guardiões aprisionados, testemunhas silenciosas.
Melhor seguir em frente, sempre em frente.

O Horizonte se apresenta, sustentando um Sol que começa a nascer. Frente a frente com o astro rei, começo a pensar no que estou fazendo, busco os conselhos de sua recém nascida luz. Caminhar sem olhar para trás, sem saber o que há pela frente. Algo bem parecido com a vida.


Não sei quem posso encontrar no meu rumo, não sei quem pode me ultrapassar. Parece um tipo de corrida velada, onde não há regras de
"Pit Stop", nem mesmo bandeirada. Na verdade nem sei se há algum prêmio no final. Talvez o prêmio seja a caminhada.

Uma moeda no chão, sorte! Talvez alguém a tenha perdido, talvez a tenha deixado deliberadamente. Talvez tenha sido esquecida. Hum, que coisa, moeda antiga. Fora de circulação. Há quanto tempo estaria ali? Horas, dias ou anos? Quanta história aquele pequeno pedaços de metal cunhado possuiria? Quanta coisa haveria testemunhado? Vá saber.


Deixei a moeda onde estava, talvez alguém a encontre, e faça ponderações parecidas com as minhas. Talvez alguém a use numa fonte dos desejos. Todo mundo deseja algo, e talvez aquela opaca moedinha sirva como um ponto de esperança. Todo mundo precisa de esperança. Sob mim ela surtiu seu efeito, portanto não precisei possuí-la.
Estou longe de casa, andei e nem percebi.

Com tudo isso correndo minha mente, não reparei que o Sol já subiu alguns centímetros, medida puramente ilusória, existente somente no ângulo do qual observo. A vida é assim, relativa, sempre dependente do ponto de onde se olha. Centímetros, metros ou quilômetros.
Acho que perdi algo pelo caminho, melhor voltar.

O Sol, brilhando cada vez mais forte, parece perceber meu pequeno aprendizado, meu pequeno momento de clareza. Eu, caminhando, penso que ele simplesmente está ocupado demais orientando o giro do nosso sistema solar. Sou pequeno demais, caótico demais. O negócio dele é com a Terra, e o meu também.

Dou as costas para a estrela amarela. Paro para perceber que conheço a trilha que há pela frente. Lá na frente tem uma moeda! E depois uma enorme árvores destruindo a calçada! Lá no ponto final, no horizonte, está minha casa! Mas não há novidade. Assim a vida já não parece tão viva.

Estou tentando aprender mais sobre mim, olhando através da calçada. Parte viva, parte estática. Tudo é mutável, e tudo continua lá se eu não interferir. Sempre existem dois ou três caminhos. Duas ou três decisões. Escolhas.

Deixar as moedas, os gatos e as árvores onde estão, sendo como são. Ou posso fazer tudo de outra maneira. Enxotar o gato preto, quebrar o cimento que sufoca a árvores, levar a moeda para o museu.


Pois então o que faço? Sigo pelo mistério, ou pelo certo e s
eguro?

sábado, 25 de abril de 2009

Sobre sentimentos, canções e pontes


Não tinha palavras para começar este texto, por isso resolvi começar dizendo isto. Esta exata frase. Não foi tão difícil, confesso. Difícil será lapidar as próximas palavras, as próximas frases, os próximos parágrafos.

Existe muita coisa acontecendo dentro de mim. Sentimentos e idéias lutando por espaço. Duvidas e certezas se digladiam em nome de um futuro do qual preciso, do qual faço parte. De vez em quando deixo escapar algo através de uma lágrima oculta, ou então ao cantar algum refrão do meu tão estimado Heavy Metal.

Confusão, bagunça, balburdia. Tudo isso em um caldeirão humano. Engraçado pensar que sempre me achei um cara sensato, centrado. Por Deus, como sei pouco sobre mim. Anos convivendo comigo mesmo, e ainda me surpreendo com cada pensamento, cada sentimento, essas coisas que citei linhas acima.

Ruído. Cada parcela de minhas ondas cerebrais foi invadida. Bem, "invasão" não é a palavra correta. Não se pode chamar um convidado assim. Eu te convidei, por que vi em você tudo que é preciso para equalizar o caos criado pela eterna discussão entre meu coração e meu cérebro. Seja bem vinda.

Espaço. Preciso, fisicamente falando, de espaço. Paredes, cômodos. Teto. Por que nos últimos tempos tenho me sentido grande, grande demais. Esbarro nas pessoas, não encontro lugar para guardar meus discos. Não há local nem para ouvi-los. Espaço.

Canções. Tenho vontade de escreve-las, graças a você. Não sei compor, não sou intimo das notas musicais. Preciso de um Lennon, assim como um dia precisou McCartney. Mas não, não tenho pretensões de ser um Beatle. Só queria me expressar através de um solo de guitarra. Ou de um refrão de marejasse os olhos.

Ponte. Preciso construir uma. Uma que me leve a você. Feita do mais sólido concreto, muito bem sinalizada. Direta, sem curvas, cortando vales e rios, ignorando montanhas e mares. Não precisa se parecer com as criações de Niemeyer, só precisa me levar até sua presença. Até encostar a ponta do meu nariz na ponta do seu, como se fossemos esquimós.

Respeito. Sinto que perdi as medidas, perdi a proporção. Andei sendo rude com as pessoas, pois dentro de mim algo não as quis respeitar. Acho que algum punk desencarnado resolveu se apoderar dessa minha ambulante carcaça. I wanna be sedated.

Um dia eu fui mais doce. Se o fui, posso se-lo novamente, pois quem fui no passado, posso ser no futuro. Está tudo aqui, basta desfazer a bagunça, aquela bagunça que descrevi mais acima, neste mesmo texto. "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás".

Por que disso tudo depende minha felicidade, que não pode ser só minha. Precisa ser sua, para que seja plena.

domingo, 12 de abril de 2009

Ao meu amigo Rusk


Os anos caíram sobre você, todos de uma vez. Ainda ontem você era jovem, cheio de vitalidade. O tempo, que parecia ter te esquecido, veio cobrar sua divida. Resolveu tomar tudo de uma vez, e isso é visível a olho nu.

Me lembro de quando o conheci: Apenas um bebê. Não sabia correr, não sabia latir. Comer já sabia. Era esperto, ainda é, mas tinha força no corpo. Hoje é puro espírito, o corpo envelheceu. Novamente não sabe latir, novamente não sabe correr.

Você testemunhou meu amadurecimento, e eu o seu. Aprendemos coisas juntos, e vimos muitas coisas acontecerem nos últimos quinze anos. Vimos seus semelhantes chegarem e partirem, levados pelo mesmo tempo que agora o aborda.

Você brigou por mim, mesmo quando em desvantagem. Me defendeu mesmo quando eu acreditava estar perdido. Não sinto que eu tenha te agradecido da maneira adequada. Hoje tudo isso passa na frente dos meus olhos. Tudo muito claro.

Não consigo aceitar o que venho assistindo. Não consigo lidar com o fato de você precisar ir. Deve haver um jeito de evitar, precisa haver um jeito. Você, sempre tão fiel, não pode partir agora. Precisamos recompor suas forças, seja com carinho, seja com ciência. Precisa haver um jeito.

Lembro-me de que você era rápido, não deixava nada lhe escapar. Pegava todo e qualquer alimento no ar, mastigava e engolia tudo, antes mesmo de eu piscar. Aventureiro, rolou na grama, correu na mata, pulou na água e até comeu macumba. E eu sempre ri com você, porque aquilo tudo parecia eterno.

Nada é eterno, e hoje o alimento que te jogo cai no chão antes de você perceber que o chamei. Você não me ouve mais, só me percebe ao me olhar. Não é justo. Você está cansado, e esse cansaço já não passa. Em meu egoísmo tento acreditar que não vai me deixar sozinho, mas seu destino foge do meu controle, da minha vontade.

Te amo, meu amigo. Venho lhe dizendo isso há anos, e vendo você demonstrar o mesmo sentimento por mim. Não vou saber me despedir quando for a hora, por isso escrevo uma carta que você não irá ler, nem poderia. Não falamos a mesma língua, mas isso nunca impediu nossas longas conversas, nunca tornou ininteligível nosso abraços.

Essa é minha despedida, e a escrevo enquanto você ainda está comigo. Te amo, meu amigo. Obrigado por estar ao meu lado por mais de metade da minha vida. Paro de escrever aqui, pois as lágrimas não me deixam prosseguir.

Porque agora você não pode latir, não pode correr... E não pode me ouvir.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

365 dias de Monocelha

Comecei a escrever em 06/04/08, um ano atrás. A idéia era desabafar, confessar, confidenciar. Tentei, por meio de minhas impressões, falar de relacionamentos, de sensações, de fatos do cotidiano. Queria fazê-los ver como essas coisas se processam dentro de mim, e acho que obtive algum sucesso.

O que me surpreendeu nessa jornada foi o fato de eu me apaixonar pela escrita. Tudo bem, sempre gostei de escrever, mas alimentar um blog é diferente. Sempre ocupei as linhas dos meus cadernos, onde o publico era composto somente por mim. A sensação de ser lido por outras pessoas é indescritível.

Não sei se agradei a todos os que leram, mas os comentários me motivaram muito a chegar aos quarenta e poucos textos. Lógico, o caminho para a perfeição é longo e tortuoso, e no histórico do meu blog posso ler cada um de meus tropeços iniciais. Ainda há muito a tropeçar.

Olhando para trás posso ver minhas próprias flutuações. Os textos de hoje diferem muito dos iniciais, e ouso dizer que posso ter escrito um ou dois textos mais de uma vez. Acontece quando os sentimentos se repetem. Vasculhar o próprio coração dá nisso.

Escrevi sobre coisas que me irritam, sobre coisas que me agradam, sobre meus amores e minhas desilusões. Tentei ser variado, mas confesso que os textos sentimentais me saem com mais facilidade. Relatei tudo o que se passa em minha alma, e acreditem, fui bastante franco.

O mais legal de tudo é que descobri o meu próprio estilo de escrita. Leio minhas criações e reconheço minhas cadeias de pensamento ali expressas. Vou confessar que encontrei muitos erros de português, e estes devem estar presentes mesmo aqui. Erros por tentar digitar com pressa, e uma enorme preguiça de revisar o que escrevi antes de postar.

Quero agradecer ao meu amigo Quixote (Cara, obrigado!) por ser meu corretor ortográfico, e maior entusiasta. Quero agradecer a cada pessoa que "me leu", e principalmente a quem me emocionou, a ponto de ser imortalizado em meus humildes textos. Quero agradecer a você que me fez sentir um monte de coisas, varias delas gravadas no histórico deste blog, em minhas próprias palavras.

Um ano se passou, rapidamente diga-se de passagem, e estou muito ansioso pelos meus próximos textos. Estou apaixonado pela escrita. Nunca me senti tão expressivo.

Agora que estou aqui, vou continuar, e ver onde dá a toca do coelho.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Espinhas e cravos na face de Gaia

Quando você jogou aquele papel no chão, não pensou no que estava fazendo. Tudo bem, as palavras foram más com você, mas isso não justifica a sua atitude. Aquela bolinha de papel amassado, foi parar fora da sua vida, mas estava longe se sumir do mapa. O chão a acolheu, mas não soube o que fazer com ela.

As coisas acontecem assim diariamente. Papeis, plásticos latas. Lixo doméstico, líquidos pesados. Tudo isso lançado por nós no meio ambiente. Quando algo se danifica, ou perde a utilidade, usamos qualquer espaço como lixeira. Você e eu.

Um simples papel de bala pode ser um grande vilão para a mãe natureza. O cigarro que você usou para se poluir, acaba depositado na terra fofa do solo, que obviamente não fuma. A latinha que você preferiu não reciclar, vai ficar ali na grama por uma eternidade, pois ninguém vai retira-la dali. Ninguém liga.

Fato é, que somos os maiores produtores de lixo do planeta. Produzimos toneladas de produtos (Escrevi certo, pois também posso produzir serviços) todos os dias, sem muita preocupação com o pós-consumo. Enchemos o mercado, atendemos as demandas, fazemos dinheiro. Isso é que importa: Fazer dinheiro.

Estamos exaurindo os recursos naturais. Esburacando o planeta Terra, devastando tudo que há de bom. Em troca, enxertamos construções de concreto na superfície terrestre, criamos lixões, verdadeiras espinhas no rosto de Gaia.

Você jogou seu papel no chão, e nem ligou, não parou para pensar nisso. Quando ligou a televisão, viu noticias sobre rios poluídos, florestas desmatadas, e animais enjaulados. Quando viu aquele papel de bala no chão da sala, seu território, brigou com quem jogou, fez até um mini discurso. Voltou para o sofá e pensou:

Essa falta de respeito ainda há de acabar com o mundo.
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