sábado, 1 de outubro de 2011

Afinal, Não Escrevi Poesias


Eu não sou poeta. Escrevi um monte de coisas, é verdade, mas nada foi poesia. Simplesmente organizei palavras e elas fizeram sentido. Mais para uns que para outros, mas para mim sempre. Assim como James Hetfield entende cada canção que escreveu (Sempre para si mesmo), também entendo minhas linhas.

Escrevi coisas poéticas, admito. Escrevi influenciado por amor, raiva... Medo. Escrevi sobre estrelas e comparei sorrisos com o Sol. Sim, meu amigo, escrevi coisas poéticas. Mas... nunca poesia. Nota a diferença? Vá ler Manuel Bandeira, e vai entender.

Poesia nunca foi tão acessível, tão acessível quanto coisas poéticas. Irônica a nossa era, onde a cultura está ao alcance dos dedos, mas ninguém lê. Ler requer interesse, paciência e tempo... Coisas que faltam no mercado. Mundo moderno, meus amigos, onde livros assustam. Crianças, isso é só o fim.

Mudando o assunto "de pato para ganso", andei pensando e lendo algumas coisas, e penso que os poetas tambem não escreveram tanta poesia. Aquele texto de Shakespeare que você colocou num video, aquela linda lição de vida nos seus "Slides"... não é de Shakespeare. "Muito barulho por nada" é, mas aquele texto não. Nunca percebeu que ele é moderninho? Você sabe de qual texto eu estou falando.

Numa entrevista do Luís Fernando Veríssimo (Com "S", viu?) descobri que o texto mais famoso que ele escreveu, ele nunca escreveu. Pois é, mundo moderno onde colocam palavras na nossa boca. Já perdi a conta de quantos textos foram atribuídos a autores famosos. Textos bonitos, cheios de razão e emoção, mas sem a alma dos autores que eles adotaram como pais.

Existe gente por ai escrevendo coisas que são verdadeiras pérolas. Pérolas modernas. Eles são anônimos, como você e eu, e alguem acha que seus textos devem pertencer a pessoas mais influentes. Isso é só o fim.

Eu nunca escrevi poesia. Talvez uns versinhos, algumas cartas de amor. Já escrevi coisas que dariam belas musicas. Heavy Metal, não MPB, afinal, nunca escrevi poesia.

Não sou famoso, nem poético, mas tive um texto roubado, juro!  Uma jovem camponesa de nobre coração pegou um dos meus textos e assumiu a autoria. Ela mudou o título para algo mais simples e óbvio. Poxa, adoro os títulos dos meus textos. Essa moça é o Shakespeare (E nada tem do celebre autor) que agora virou a autora do meu texto. E eu que pesquisei tanto sobre Dopamina, feniletilamina e ocitocina

Bem, estamos num mundo globalizado, certo? Ossos do oficio. De qualquer forma, minhas palavras alcançaram outros olhos, e no fim isso é que importa, não é? Tanto faz quem escreveu, o que realmente vale ouro é a mensagem transmitida. Veríssimo ou Bandeira, Meireles ou um Monocelha qualquer (Putz, me coloquei na lista? Sim, me coloquei, meu ego está inflado, mas ficou engraçado).

Bem, de qualquer forma eu fiquei bem irritado quando vi meu texto adulterado. Me senti meio "pirateado", sabe? E eu sou completamente contra a pirataria. Dai a César o que é de César. Da mesma maneira eu gostaria de conhecer os escritores verdadeiros das obras que vejo por ai motivando as pessoas. Poéticas ou não.

Mas que puxa, tantas linhas só porque nunca escrevi poesia.

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