sábado, 8 de outubro de 2011

Porque Me Sinto Como uma Banda Oitentista


Tenho produzido textos numa freqüência maior que a dos últimos meses. Nunca parei de escrever, mas com o passar do tempo os intervalos tem sido cada vez maiores, sem uma razão especifica... além do ócio.

Analisando meu próprio jeito de escrever, noto diferenças nada sutis no meu estilo. Antes havia uma paixão diferente nas minhas linhas, uma coisa que era jovial, havia uma dose alta de otimismo vinculada a uma dose generosa de tristeza. Eu via, e sentia, o mundo com outro coração. Outros olhos.

Comecei a escrever em busca de alguma cura, primeiro nos cadernos da faculdade, durante as aulas mesmo. Havia uma pressão dentro de mim, algo de criativo, mas que tirava alimento de um belo "Pé na bunda". É verdade! Comecei a escrever motivado pelo fim de um relacionamento. Clássico.

Não soube lidar com aquela perda... Até começar a escrever. Folhas e mais folhas dos meus cadernos, nas aulas de Contabilidade do finado Professor Osvaldo (Osvaldão, olhe por mim de onde estiver). O textos me ajudaram a cicatrizar o coração.

O Metallica era mais legal no inicio?

Alguém me disse que meus primeiros textos eram melhores. Em 2008 eu compus, numa tacada só, Kill 'Em All, Ride the Lightning e Master of Puppets. Mas conforme meu remédio funcionava, meu ritmo diminuía. Sabe quando você se sente melhor e diminui a dosagem dos remédios por conta própria?

A verdade é que eu gosto do Metallica mais recente. Black Album, Load e Reload. Aqueles caras podem não agradar a maioria, mas eu entendo as razões que levaram a banda a "Mudar". James Hetfield disse numa entrevista, que escrevia suas canções pela mesma razão que passei a alegar para defender meus textos: Ele escreve o que precisa escrever. O que tem no coração, seja amor ou raiva, seja alegria ou dor. Escreve sobre os próprios demônios, para vê-los exorcizados.  

James é o equivalente inglês para Tiago. Eu queria escrever as coisas que ele escreve. E eu queria tocar guitarra.

O que escrevo hoje?

Ainda escrevo sobre minha cicatriz. Ela dói no frio. Mas, escrevo sobre muitas coisas mais, pois me apaixonei outra vez. Me apaixonei pela escrita. Escrever e receber comentários é uma coisa viciante. Mais viciante é quando você descobre que fez bem para meia dúzia de pessoas. Quando alguém promove mudanças positivas na própria vida porque leu suas criações.

Escrever, assim como ler, é um prazer. Criar musicas e lotar estádios deve ser mil vezes melhor.

O Metallica só amadureceu

O Metallica não é mais composto por garotos de 19 anos. Eles agora são pais de familia, viajaram o mundo e escreveram mais de 100 canções. Não dá para escrever a mesma canção repetidas vezes (Só o AC/DC tem permissão divina para fazer isso). Cada experiência vivida acrescenta algo em nossas almas, e isso é refletido em nossas criações.

Eu já escrevi muitas coisas, já usei muitas referências, e hoje tenho medo de me repetir. Me vigio o tempo todo temendo reescrever um texto antigo. Os sentimentos adormecem dentro de nós, e temos de compreender o que deve compor as linhas, e o que deve esperar.

O Metallica sempre foi sincero

O que alguns fãs não perceberam é que o Metallica se manteve sincero. Nada ali foi composto por encomenda, nem das gravadoras e nem dos fãs. Eles sempre lançaram canções que refletem os sentimentos e ideias que os dominavam no momento da composição. Durmam com isso.

"What I've felt
What I've known
Turn the pages
Turn the stone
Behind the door
Should I open it for you?"

O Monocelha sempre foi sincero

Eu escrevi coisas legais. Escrevi coisas que me geraram frutos maravilhosos, escrevi coisas que me deixaram com cara de chorão, como se eu fosse um enorme Charlie Brown de carne e osso. Prometo continuar escrevendo com o mesmo improviso, sem saber se crio maravilhas ou sucata. Essa é a graça da criação.
'Cause I'm the one who waits for you... Or are you unforgiven too?

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